A primeira exibição do filme “Meu Semba”, da produtora audiovisual Geração 80, aconteceu nesta sexta-feira, 6 de Março, no ZAP Cinemas, do Shopping Avenida do Morro Bento, em Luanda. A estreia nacional ficou marcada por forte adesão do público, com bilhetes esgotados em duas sessões consecutivas e a sala completamente preenchida.
Foto: AngoRussia/José da Silva
A obra, realizada por Hugo Salvaterra e produzida por Jorge Cohen, chega ao circuito cinematográfico angolano após ter sido apresentada internacionalmente, reforçando o crescente reconhecimento do cinema nacional em festivais fora do país. Segundo Salvaterra, o principal objectivo do projecto foi retractar a realidade angolana de forma autêntica e emocional, permitindo que o público se reconheça na narrativa.
“O que eu queria era criar uma peça em que os angolanos conseguissem se orgulhar, sentir na pele as nossas alegrias, euforias, tristezas e dores, um retracto fiel e fidedigno de Angola hoje, foi este o desafio que me propus quando eu comecei a escrever o guião e pelo calor que eu tenho recebido tanto nacional como internacionalmente, peço que este objectivo foi atingido”, afirmou.
O cineasta explicou ainda que a estratégia de estreia internacional foi uma necessidade para garantir visibilidade e sustentabilidade ao projecto, tendo em conta as limitações da indústria cinematográfica no país.
“Ter a estreia internacional é no fundo, fazer com que o filme tenha maior vida possível, isto porque os primeiros três anos do filme são essenciais para que se faça sentir como peça artística e também como produto comercial. E felizmente o ZAP Cinemas foi nosso parceiro neste quesito, conseguimos chegar a um entendimento comercial que fizesse sentido e estamos aqui hoje”, explicou.
Enfatizou ainda que, a obra não deverá limitar-se apenas às salas comerciais. A intenção é levá-la a diferentes públicos e contextos culturais e académicos em todo o país.
“Nós vamos ter várias oportunidades ainda de apresentar o filme nos mais variados contextos, não só como uma peça comercial, mas uma peça artística, com alguma sorte chegar às escolas, universidades e enquanto haver fôlego vamos levar em todo país de Cabinda ao Cunene”, acrescentou.
O filme que já alcançou destaque no circuito internacional de festivais, “Meu Semba” foi convidado para estrear na 55.ª edição do Festival de Cinema de Roterdão, integrando a categoria “Tiger Competition”, reconhecida por revelar novos talentos da realização cinematográfica.
“É um privilégio profundo, ter sido seleccionado para esta categoria em particular, o primeiro filme angolano na história do cinema a estar nesta competição, é uma coisa de que eu me orgulho e isso também abriu portas para outros convites, vamos estar no festival “The Monic”, um dia maiores festivais do cinema do Brasil, fomos convidados para fazer uma a mostra. Vamos para a Polónia, no entanto, o filme vai agora em digressão e com a mesma força e paixão levaremos de Cabinda ao Cunene”, concluiu.
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